A maldade está na alma. É é é, não tem como negar isso. Todos nós temos um lado cruel e perverso. Em alguns eles estão aflorados, em outros não, e em outros afloram de repente. O mal está dentro de nós meu caros, e não podemos tirar.
Tenho um lado cruel, onde gostaria de ver todos queimando no mármore do inferno. Um lado sádico, perverso, malicioso e cínico só meu, só eu conheço. Ao mesmo tempo, tenho outro lado bomzinho que me diz que (quase) tudo do outro lado é errado, e me impede de ser uma pessoa ruim. Com muita gente esse lado bomzinho não funciona, e isso é bom ou ruim.
Ontem vi a entrevista da mãe da menina Isabella no Fantástico. Olha, não deve ser nada fácil o que a Ana Carolina está passando. Não pretendo ter filhos, mas posso menssurar a dor de alguém que perde um ser humano que foi feito por você, que tem uma parte sua. É repugnante a idéia de fazer um mal desses, ou seja lá de que jeito, com qualquer criança (e olha que tem umas que pedem).
O lado maléfico de Alexandre Nardoni e de Anna Carolina Jatobá, poderia ter passado despercebido pela vida inteira deles, mas se aflorou no dia 29 de março deste ano.
Como julgar pessoas com um nível desses? Temos que ter auto-controle e consciência do que é certo e errado. Para alguém que não teve medo de matar sua própria filha, a última coisa que Alexandre tinha era auto-controle.
Ver como o lado negro das pessoas está tão perto de nós é simples, olhe ao seu redor. Para mim, foi assustador o caso Isabella mesmo. A menina estudava em um colégio que eu iria estudar se não tivesse saído de São Paulo. O edifício London, a casa da mãe da Isabella, e todo o quadrilátero em que o crime ocorreu, eram nada mais nada menos que algumas quadras da onde eu morava. É sei lá, terrível. Meu primo conhece alguns conhecidos do Alexandre. Tá tudo tão perto.
Pior do que saber que o terror está do seu lado, é saber como dão ênfase para alguns casos como esse, e deixam tantos outros de lado. Já fui de reclamar de tanta violência na TV, mas mudei de opinião quando minha professore de Literatura disse sobre uma resposta do Bóris Casói há muitos anos atrás. Perguntaram pra ele na época antes dele ir para o SBT, o que ele achava de ir para um canal tão sensacionalista, para um programa em que as notícias eram tão ruins (Aqui Agora). Ele respondeu algo como "O jornalismo noticia o que é raro. Assuste-se quando chegar um tempo em que você ligará a televisão, e o jornal das 8 noticiar que uma flor floresceu em um jardim, ou que uma criança brincou feliz em um parque".
A maldade sempre existiu, em todas as épocas, em todos os países, em todas as circustâncias. Antigamente as penas de mortes eram em praças públicas. Morria-se queimado na fogueira, ou fuzilado, ou enforcado, ou guilhotinado. Na era medieval, estupros eram corriqueiros e secretos. Na antiguidade, guerras e mais guerras sangrentas eram comuns, e as pessoas não temiam morrer, ou matar. Só mudaram os tipos de crueldades, ninguém percebeu isso? O que já foi justiça, hoje é crime. É de se espantar como as pessoas dizem hoje coisas como "é o fim dos tempos", "o mundo está entrando em colapso". Se sempre convivemos com o mal, então o fim dos tempos sempre esteve próximo, não é mesmo?
Diversos tipos de maldades nos afligem mais, outras menos. Temos que ir seguindo em frente apesar dos pesares. É mais fácil dizer que estamos entrando no fim dos tempos, entretanto é melhor acreditar que haverá um dia em que todos viverão em equilíbrio e serenidade, e que o mal será mais raro do que é hoje.